ALBERTO CHIMAL – ficcionista

 

Daniele Aparecida Pereira Zaratin

Nascido no México em 1970, Alberto Chimal é um destacado escritor das letras hispânicas na contemporaneidade, vencedor de diversos prêmios por suas obras. Inicia sua vida profissional na área da engenharia, porém é a literatura que o atrai desde muito cedo. Publica seu primeiro livro, intitulado Los setenta segundos, ainda aos dezesseis anos e, por meio dele, consegue vencer o prêmio “Becarios”, outorgado pelo Centro Toluqueño de Escritores que lhe permitiu aperfeiçoar-se como escritor. Posteriormente, conclui estudos pela Escola de Escritores da Sociedad General de Escritores de México (SOGEM) e obtém o título de mestre em Literatura Comparada pela Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM). É autor de uma série de obras, entre as quais estão os romances Los esclavos (2009) e La torre y el jardín (2012), e os livros de contos Gente del mundo (1998), Estos son los días (2004) e Los atacantes (2013). Além disso, escreveu ensaios, La Generación Z (2012), peças de teatro, El secreto de Gorco (1997), e traduziu para a língua espanhola e publicou textos de Edgar Allan Poe (2010). Também atua como professor e divulgador de escrita criativa, tanto por meio de cursos e oficinas presenciais, como por atividades online, seja por sua página pessoal do Facebook, seja por meio do Las Historias, site no qual o escritor mexicano reúne textos ficcionais seus e de outros autores. Ainda pelo meio digital, Chimal promove, entre seus leitores-seguidores, concursos de escrita literária experimental, colaborando para o surgimento de novos escritores. Nesses concursos, o autor privilegia especialmente o conto e o “microcuento”, gêneros breves que permitem uma interação imediata entre escritor-público e que possibilitam ao autor tratar tanto no nível do conteúdo como no da forma de temas próprios dos sujeitos da contemporaneidade.

Apesar de contar com obras de viés realista, nas quais há a explicitação da violência provocada pela verticalidade das relações de poder, a maior parte de seus escritos demonstra um reiterado diálogo com autores, temas e modos de narrar do fantástico e suas vertentes, como o horror, a ficção científica e até mesmo o maravilhoso. Em seu site pessoal, há a seguinte afirmação sobre o autor: “uno de sus intereses principales es la imaginación fantástica: un modo peculiarmente latinoamericano, distinto del “género” fantástico como se entiende en los países de habla inglesa” (CHIMAL, 2019 – grifo do autor). “Um de seus interesses é a imaginação fantástica: um modo peculiarmente latinoamericano, distinto do “gênero” fantástico como se entendo nos países de fala inglesa” (CHIMAL, 2019 – tradução nossa).

Tal bifurcação entre as literaturas do fantástico de língua inglesa e as produzidas no contexto latino-americano não é casual. Embora seja exímio leitor e tradutor da literatura anglófona, Alberto Chimal se apoia principalmente na produção literária latino-americana, sendo Jorge Luís Borges e Juan Rulfo dois nomes sempre citados por ele. Além disso, sem perder de vista o interesse por narrar o universal, o autor estabelece um diálogo profícuo com incontáveis imagens discursivo-históricas e eventos que ocorrem principalmente na parte latino-americana do continente. O seu modo de narrar mescla história, tradição oral, fantasia e mito num processo que Samuel Gordon afirma ser uma espécie de “neomitologización”, ou seja, a criação de “relatos creadores de orígenes míticos universales y dotados de giros peculiares que los actualicen literariamente” (GORDON, 2006, p.22). “Relatos criadores de origens míticos universais e dotados de características especiais que os atualizam literariamente” (GORDON, 2006, p.22 – tradução nossa).

Seu último romance sublinha, mais uma vez, o criativo e reflexivo exercício imaginativo do autor. Ambientado na Cidade do México, La noche en la zona M (2019) apresenta uma sociedade distópica futurista, na qual as consequências do aquecimento global se fazem implacáveis e irremediáveis. Para sobreviver nesse cenário pós-apocalíptico, as personagens têm uma tarefa que se mostra simples, mas que se revela justamente o oposto: estabelecer uma rede de solidariedade e cooperação mútua entre elas.

Dessa forma, conhecer a obra do mexicano Alberto Chimal possibilita ao leitor expandir as fronteiras do pensamento por meio de enredos imaginativos que, longe de se descolar da realidade, suscitam reflexões sobre seu tempo e seu contexto de produção.


REFERÊNCIAS

CHIMAL, Alberto (2005). Las Historias. In http://www.lashistorias.com.mx/. Acesso em 18.set.2019.
______ (2019). Página oficial. In https://www.albertochimal.com/alberto-chimal/. Acesso em 17.set.2019.
GORDON, Samuel (2006). Mito, fantasía y recepción en la obra de Alberto Chimal. México: Ediciones y Gráficos Eón.

BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR

ÁLVAREZ MÉNDEZ, Natalia (2013). La literatura de lo maravilloso: El universo mítico de Alberto Chimal. In https://bibliotecas.unileon.es/tULEctura/2013/11/14/la-literatura-de-lo-maravilloso-el-universo-mitico-de-alberto-chimal/. Acesso em 22.set.2019.
CAAMAÑO-Morúa, Virginia (2011). “Seres monstruosos y cuerpos fragmentados. Sus representaciones en dos relatos fantásticos de Alberto Chimal”. Revista de Filología y Lingüística de la Universidad de Costa Rica. 39(1), p.159-178. https://revistas.ucr.ac.cr/index.php/filyling/article/view/13862. Acesso em 19.set.2019.
GORDON, Samuel (2004). Poéticas mexicanas del siglo XX. México: Ediciones y Gráficos Eón.
ORDIZ VÁZQUEZ, Francisco Javier (2014). Estrategias y figuraciones de lo insólito en la narrativa mexicana (siglos XIX–XXI). Bern, Switzerland: Peter Lang UK.
ZARATIN, Daniele Aparecida Pereira (2015). “A construção do insólito em ‘La mujer que camina para atrás’, de Alberto Chimal”. In: Cadernos de Pós-graduação em Letras da Universidade Presbiteriana Mackenzie, 15(2). In http://editorarevistas.mackenzie.br/index.php/cpgl/issue/view/493. Acesso em 18.set.2019.